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Treinamento de Dermatologistas
no uso de Recursos Computacionais: um Modelo com Incentivo da Iniciativa Privada

Autores: Chao Lung Wen1,2; Eglen Mari Akinaga2; Marcelo Minoru Onoda2; Marcela Rocha de Oliveira1; György Miklós Böhm1.
Instituições: 1. Disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. 2. Intec - Informática e Telemedicina Ltda.

Resumo
A difusão do uso da informática é evidente na sociedade moderna e atualmente existe uma grande preocupação ao nível nacional, no sentido de reduzir o número de pessoas que não têm conhecimentos para usar computadores (exclusão digital). Esta realidade também atinge a classe médica. O desenvolvimento de projetos na área acadêmica com incentivo da iniciativa privada pode ser feito de forma a obter benefício mútuo quando se apóia em estratégias de trabalhos de médio e longo prazo. Neste artigo apresenta-se uma iniciativa de capacitação de dermatologistas em informática e telemedicina durante eventos científicos da especialidade. Concluiu-se que: (1) A implantação de urna estratégia de capacitação em informática e telemedicina para médicos de especialidades durante eventos científicos é bem aceita e deve ser mantida. (2) Os cursos devem ser preparados especialmente para os eventos e de acordo com as necessidades dos especialistas, de forma a permitir a conciliação com as atividades científicas. (3) O desenvolvimento de projetos planejados com enfoque acadêmico-científico e prática profissional é viável e pode ser proveitoso para especialidades médicas.

Resumen
La difusión del uso de la informática es evidente en la sociedad moderna y actualmente existe una gran preocupación en cuanto a reducir el número de personas que no tienen conocimientos en computadoras (exclusión digital). Esta realidad también abarca ala clase médica. EI desenvolvimiento de proyectos en el área acadêmica con incentivo de la iniciativa privada puede ser hecho de forma de obtener beneficio mutuo cuando se apoya en estrategias de trabajos a mediano y largo plazo. En este artículo, se presenta una iniciativa de capacitación de dermatólogos en Informática y Telemedicina durante eventos científicos de Ia especialidad. Se concluye que: (1) La implantación de una estrategia de capacitación en informática y telemedicina para médicos de especialidades durante eventos científicos es bien aceptada y debe ser mantenida. (2) Los cursos deben ser preparados especialmente para los eventos y de acuerdo con las necesidades de los especialistas, de forma de permitir Ia conciliación con Ias actividades científicas. (3) El desenvolvimiento de proyectos planeados con enfoque académico-científico y práctica profesional es viable y puede ser provechoso para especialidades médicas.

Introdução

A difusão do uso da informática é um fator evidente na sociedade moderna, e atualmente existe uma grande preocupação em todos os níveis, mesmo na cúpula das decisões federais, no sentido de reduzir o número de pessoas sem conhecimentos no uso de computadores. A “exclusão digital” é uma das importantes preocupações da atualidade e sabe-se que, em futuro próximo, poderá ser causa de exclusão social. Ao contrário do analfabetismo, a “exclusão digital” atinge todas as classes e a médica não está fora deste contexto. Trata-se de uma educação complexa e peculiar pois a incorporação da informática na rotina diária não significa apenas ter um computador com softwares e usá-lo como máquina de escrever, mas envolve a compreensão sobre os potenciais da informáta, no caso dos médicos também da telemedicina, e como estes podem melhorar suas atividades diárias em todos os aspectos, técnicos, administrativos e outros específicos para cada atividade humana.

Este artigo descreve um trabalho de esclarecimento junto a dermatologistas que, como tantos outros especialistas da área médica, freqüentemente têm excesso de atividades, o que gera conseqüente escassez de tempo. Isto acarreta em dificuldades para que ele se mantenha atualizado em seu campo específico e muito mais para o domínio de tecnologias computacionais.

Um dos momentos mais adequados para aprender novos conhecimentos tecnológicos é durante eventos científicos, já que o dermatologista está afastado das suas preocupações diárias e está mais receptivo à aquisição de novas informações. Nestas oportunidades também ocorre um entrosamento entre as áreas acadêmica e privada, com benefício para ambas as partes, sobretudo se apoiado em estratégias de médio e longo prazo. Neste projeto aproveitou-se o incentivo da empresa Laboratórios Stiefel do Brasil para oferecer um curso de capacitação em informática e telemedicina durante eventos científicos dermatológicos.

Métodos

Os cursos de informática foram estruturados por uma equipe composta por um médico docente da Disciplina de Telemedicina da FMUSP e profissionais especializados em informática e telemedicina. O objetivo era oferecer sessões dirigidas a temas específicos com duração de 60 minutos cada.

Para melhor adequação em relação à programação científica dos eventos, os cursos foram ministrados para grupos 9 alunos em cada sessão, sob supervisão de 3 tutores, distribuídos em 6 sessões ao dia, durante todos os dias dos eventos.

As temáticas abaixo relacionadas foram planejadas de evento para evento, baseadas nas experiências dos cursos anteriores, nas fichas de pesquisa de opinião aplicadas ao final de cada sessão e nos aspectos gerais da telemedicina:
1. Internet básico e Internet avançado.
2. Pesquisa científica na Internet.
3. MS-Word básico e MS-Word avançado.
4. MS-Power Point básico e MS-Power Point avançado.
5. Máquinas fotográficas digitais.
6. Imagens digitais.
7. Como desenvolver seu próprio website.
8. Informatização de consultórios

Resultados

Foram ministrados cursos de capacitação em 7 eventos dermatológicos consecutivos (Congresso da SBD-2000, RADESP-2000, Congresso da SBCD-2001, Congresso da SBD-2001, RADESP-2001, Congresso da SBCD-2002 e Congresso da SBD-2002), perfazendo um total de 1.187 inscritos nos últimos 2 anos.

Houve menor procura pelos cursos no período da manhã do primeiro dia dos eventos, atingindo uma média constante a partir do segundo dia, variando-se a procura de acordo com temáticas dos cursos de capacitação e com a programação científica, e aumento expressivo de procura no último dia de todos eventos independente do assunto a ser abordado.

De um evento para outro, o índice de procura pelas temáticas já anteriormente ministradas apresentou queda sensível em função da maior procura pelas novas temáticas. Houve melhor aproveitamento quando os grupos eram homogêneos na familiaridade com o uso de computadores.

O número médio de cursos realizados pelos dermatologistas participantes foi de 2,1 cursos, e 70,1% conceituaram os cursos como Ótimo, 29,1% como Bom e 0,8% como Regular.

Foram distribuídas apostilas em todos os cursos, sendo que nos congressos da SBCD-2002 e SBD-2002, foram distribuídas também réguas para calibragem das cores de imagens digitais, cujo concerto foi concebido pelo médico docente do grupo (ver sessão “tendencias no próximo número da revista).

Discussão

A implementação de cursos de apoio à especialidade é uma iniciativa importante e tem papel significativo nas atividades científicas complementares, como mostrado pelo perfil de interesse dos dermatologistas.

O desenvolvimento de cursos deve ser focado nas necessidades práticas dos dermatologistas, de forma que eles possam receber uma carga dirigida num curto espaço de tempo, que os habilitem a executar por si mesmos os trabalhos propostos.

A evolução da participação nos cursos mostrou a migração dos focos de interesse dos congressistas em relação às temáticas, demonstrando que à medida que adquiriam as capacitações passavam sugerir e a freqüentar outros cursos mais avançados.

O aprendizado durante um evento científico é importante, pois é um momento propício para os dermatologistas adquirirem novos conhecimentos. Os cursos foram importantes para romper com os preconceitos com relação às inovações da informática das pessoas menos adeptas à tecnologia, as quais se tomaram potenciais usuários após o evento.

Os cursos demonstraram que, além dos fatores dos temas ministrados, o índice de freqüência estava relacionado com as atividades científicas. Este aspecto ficou evidente no último dia dos congressos, quando as sessões dos cursos de capacitação ficavam com superlotação em decorrência da redução das atividades dos eventos. Portanto, deve haver, na medida do possível, uma adaptação do oferecimento de vagas para capacitação em informática e telemedicina à programação geral do congresso evitando colisões com temáticas de grande interesse para a especialidade.

Conclusão

É importante oferecer cursos de capacitação em informática e telemedicina como atividade complementar nos congressos de especialidades médicas para preparação à nova realidade digital e estimular a continuidade deste aprendizado.

Os cursos devem ser elaborados especialmente para os eventos de acordo com as necessidades dos especialistas nas diversas áreas médicas e programá-los de forma a permitir a conciliação com as atividades científicas.

O desenvolvimento de projetos planejados com enfoques acadêmico-científicos e prática profissional é viável e pode ser muito proveitoso para especialidades médicas.

Agradecimentos especiais

À empresa Laboratórios Stiefel do Brasil pelo incentivo e apoio constante aos cursos de capacitação.

Aos doutores Cássio Martins Villaça Neto e Jayme de Oliveira Filho por terem propiciado este tipo de atividade no Congresso de Cirurgia Dermatológica de 2000, fato que permitiu a estruturação e aprimoramento do conceito nos eventos subseqüentes.